Tempo Rei
Hoje levantei pensando sobre o tempo...
A referência imediata que me fez pensar sobre o tempo foi a canção de Gilberto Gil, “Tempo Rei”. Ela ecoou na minha cabeça como se eu personificasse o tempo com uma coroa e, sim, como se eu o reconhecesse também como baiano.
Na semana que passei em Salvador, eu tinha um objetivo bem simples: viver sem pressa, me adaptar ao ritmo local e simplesmente deixar o tempo passar no seu ritmo.
Lembro de um dia em que acordei meio agoniada, meio com pressa, com aquela sede ariana típica de atropelar o tempo e “viver tudo”. Nesse dia, fui explorar o bairro em que eu estava para encontrar uma nova padaria (quem me conhece sabe que eu amo). E quando entrei pela porta, duas frases estampadas na parede praticamente gritaram meu nome:
Tudo que é meu me encontra
Não desperdiçar o tempo
Ao ler, eu fiquei quieta por dentro.
Porque depois de muito tempo buscando sentido, procurando sinal, eu não estava procurando nada e ninguém. Eu estava só existindo, com aquela vontade de “viver tudo”.
E mesmo sentindo essa energia, eu estava presente, inteira. Com meu café preto, pão e o sol da manhã. Com a vida pulsando nas veias, mas o coração tranquilo.
E hoje, ao recordar desse dia, eu reconheço uma palavra que é muito minha agora: discernimento.
Discernimento, pra mim, é quando eu redireciono minha energia apenas para o que me pertence.
É quando eu separo o que me alimenta do que me drena.
É quando eu sinto essa vontade de “viver tudo” e redireciono para o que eu posso fazer agora, e apenas por mim.
É quando eu separo ansiedade de destino.
É tirar o peso do tempo e não transformá-lo em tribunal.
É aceitar o que é, sem perder a fé.
Refletir sobre isso me fez ver que, por muito tempo, a minha fé estava direcionada como um súplice para o tempo me salvar.
Hoje, poucas semanas depois, eu vejo uma mudança sutil de lugar. Minha fé virou uma confiança tranquila de que o tempo sabe fazer e eu simplesmente não preciso controlar.
Ter fé no tempo é não saber tudo.
É não ter todas as respostas.
E, ainda assim, escolher caminhar.
Confiar no tempo e no universo, de uma forma adulta, pra mim, precisa vir com discernimento. Não como quem terceiriza a vida, mas como quem entende dançar no próprio ritmo e não se negar a caminhar.
Tudo que é meu me encontra.
E sobre “não desperdiçar o tempo”, isso me levou a um novo ponto de vista também.
Não é sobre correr, fazer mais ou fazer tudo com pressa.
É sobre não se abandonar enquanto faz.
É sobre não se colocar em espera.
É sobre não brigar com o que é.
Hoje, minha escolha diária é honrar o tempo.
Com presença.
Com sentido.
Com verdade.
E ao reconhecer que o tempo é rei, eu passo a caminhar com ele, e não lutar contra ele.
Afinal, o lema é não desperdiçar o tempo, porque eu tenho certeza de que tudo que é meu me encontra.
